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ESG é visto como o maior risco para o setor de mineração e metais no Brasil

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O ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa) é considerado o maior “risco” e, ao mesmo tempo, a maior “oportunidade” para o setor de mineração e metais no Brasil, segundo um estudo da consultoria EY e do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração).

Em seguida vêm os riscos e oportunidades ligados à geopolítica, mudanças climáticas, a licença para operar, custos e produtividade, interrupções na cadeia de suprimentos, força de trabalho, capital, digital e inovação e novos modelos de negócios.

Especialistas destacam que o setor, mesmo tendo passado por mudanças significativas nos últimos anos pressionado pelo poder público e pela indústria privada, ainda é tido como um dos mais poluentes — considerando os riscos referentes aos impactos da mudança climática, como enchentes, crises no sistema elétrico e falta de água potável.

Com isso, a ascensão da agenda ESG, que tem como uma das principais bandeiras o meio ambiente, se torna um risco para o setor, que tem de se adequar a diversas normativas para conseguir recursos de bancos e fundos de investimentos, segundo o doutor em economia dos recursos naturais e professor da Universidade de São Paulo (USP)Luis Enrique Sánchez.

“Se o setor precisa de recursos, tem de demonstrar que possui um sistema robusto de gestão ambiental. O setor financeiro tinha pouco conhecimento dos riscos da mineração e foi surpreendido com os dois grandes casos”, afirma, se referindo às tragédias de Brumadinho Mariana.

Tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, aconteceu em janeiro de 2019.
Tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, aconteceu em janeiro de 2019. Foto: Wilton Junior/ Estadão

Para ele, a transição do setor tem relação direta com a ascensão do ESG. “A agenda e a legislação mais fortes pesaram para essa transição para uma economia sustentável, assim como o crescente interesse da própria sociedade aos riscos da mineração e uma atenção maior dos investidores.”

“Se o setor de mineração não for responsável, não vai ter licença para operar. As mudanças vêm não porque é um setor bonzinho, mas da necessidade pela pressão que a sociedade e os governos têm feito”, afirma o líder de energia e recursos naturais da EY, Afonso Sartorio.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) houve avanços, de fato, mas a mineração continua a ser um setor poluente e que enfrentará muitas dificuldades. “Eu tenho o entendimento de que essa perspectiva não vem mudando e não vai mudar a curto prazo.”

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Segundo ele, toda vez que há um novo projeto de mineração de médio e grande porte, as empresas têm dificuldade em avançar com o projeto e dialogar com as comunidades. “Eles encontram dificuldades que não ocorriam no passado. Está mais difícil e esse é um dos motivos para a valorização da agenda ESG.”

O especialista da EY destaca que, embora uma mudança para uma cadeia mais sustentável esteja acontecendo, as pessoas muitas vezes não percebem essa mudança por terem um “preconceito” com o setor. “Acho que as pessoas são mais céticas ao ouvir notícias da indústria de mineração. Em função de problemas, alguns graves, já ocorridos e que envolveram a mineração.”

Sartorio, no entanto, destaca que as comunidades próximas dos locais onde existe mineração querem o setor próximo. “Existe uma diferença do que o carioca da zona sul entende de mineração e a população vizinha. Gera trabalho e renda.”

“Não quer dizer que não existam situações de tensões, de risco, de barragem que tem que ser tratadas. A questão é que a mineração não fez o trabalho que o agro fez. Antes, era visto como o pessoal das queimadas, dos boias-frias, hoje é ‘pop’. A mineração não percorreu esse caminho.”

Para ele, falta esta mudança para que a sociedade enxergue a relevância do setor, considerado um dos setores mais influentes na economia brasileira, produzindo e comercializando para quase todo tipo de indústria no País. Em 2022, a mineração foi responsável por 40% do saldo brasileiro na balança comercial e o faturamento do setor no ano foi de R$ 250 bilhões.

ESG pode ser oportunidade para o setor

Especialistas apontam que a crescente busca por minerais produzidos de maneira mais limpa apresenta novas oportunidades de negócio, uma vez que os clientes estão dispostos a investir mais em tais produtos.

Sartorio afirma que a relevância do setor na cadeia produtiva brasileira leva o ESG a ser visto também como uma oportunidade para o setor. “As empresas mais estruturadas conseguem usar como uma oportunidade”, disse, destacando, no entanto, que no contexto ambiental que o Brasil se encontra, a adaptação do setor não é uma escolha, mas algo essencial.

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Para o professor da USP, a sustentabilidade pode ser uma boa oportunidade para o setor, considerando o crescimento da demanda prospectado por várias entidades. “O setor de mineração está muito ligado nas projeções de um aumento da demanda de bens minerais por conta da descarbonização transição energética.”

No entanto, o especialista da EY defende que estar em conformidade somente com a legislação e regulamentação referentes já não é suficiente em um ambiente que os consumidores esperam, segundo ele, um “valor compartilhado com real impacto positivo”.

“É sim ou sim. Precisa ser uma oportunidade, tanto para a humanidade, quanto para o próprio setor. A humanidade não vive sem a mineração. Se for um risco, como essas as milhões de pessoas vão conseguir ter garfo? Como os países pobres vão elevar o seu padrão se a mineração for uma atividade de risco?”, afirma.

Assim como em outros setores, Sartorio destaca que uma modificação efetiva leva tempo, principalmente para haver mudanças de maquinário e práticas específicas — que dependem de uma transformação de todas as empresas, inclusive dos fornecedores.

Para ele, no entanto, a mudança já está acontecendo. Sartorio destaca que as principais apostas do setor têm sido investir na redução de carbono e na reciclagem de produtos. Outra tendência sustentável que deve se consolidar no mercado é o rastreio da pegada de carbono nas empresas de varejo, forçando uma mudança também no setor de mineração.

“As empresas de consumo vão ser pressionadas a rastrear os seus produtos até a origem, da onde ele saiu, qual o solo, como ele foi processado, quanto emitiu de carbono. As empresas que tiverem soluções inovadoras que atenderem a essa direção e consigam rastrear as suas cadeias vão ter uma vantagem competitiva enorme.”

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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