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Dependência do dólar e anexação de Taiwan: o que está por trás da corrida do ouro chinesa?

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A China tem aumentado de forma significativa suas reservas de ouro nos últimos anos. Atualmente, por exemplo, o gigante comunista asiático é o sexto país com o maior estoque do metal precioso no mundo.

Mas o que estaria por trás deste movimento? A resposta pode estar na complexa relação da China com o dólar americano e nas crescentes especulações sobre uma possível tentativa do país comunista de anexar Taiwan. O ouro, historicamente considerado um porto seguro em tempos de crise, parece ser a aposta de Pequim para diversificar suas reservas e proteger sua economia contra possíveis sanções ocidentais, semelhantes às impostas à Rússia após sua invasão à Ucrânia.

Francisco Blanch, chefe de pesquisa global de commodities e derivativos do Bank of America Securities, disse ao site da Axios que muitos bancos centrais estão perdendo a confiança no sistema financeiro global. Blanch lembrou que a decisão da União Europeia (UE) e dos EUA de congelar as reservas estrangeiras da Rússia fez com que outras nações repensassem os ativos que mantêm em reserva.

Segundo o Conselho Mundial do Ouro, o Banco Popular da China (que é o Banco Central do país) comprou 27 toneladas de ouro nos primeiros três meses deste ano, elevando suas reservas para um recorde de 2.262 toneladas. Março foi o 17º mês consecutivo de alta nas reservas de ouro da China, segundo o Conselho Mundial.

Desde novembro de 2022, ano em que começou a guerra na Ucrânia, as reservas de ouro da China aumentaram 314 toneladas, conforme o Conselho Mundial do Ouro. Neste momento, os chineses são um dos principais responsáveis pela alta do metal no mercado, cuja onça está sendo negociada a US$ 2,35 mil.

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Historicamente, a China mantém uma grande parte de suas reservas internacionais em dólares americanos, principalmente na forma de títulos do Tesouro dos EUA. No entanto, desde 2021 o país vem reduzindo suas participações de cerca de US$ 1,1 trilhão para aproximadamente US$ 775 bilhões em 2024. A diversificação das reservas chinesas, que neste momento conta com esse aumento significativo nas compras de ouro, reflete uma tentativa do país de reduzir a exposição ao dólar e a outros riscos associados à moeda estrangeira.

A dependência do dólar americano como moeda de reserva mundial é um ponto de vulnerabilidade para muitos países, incluindo a China. O dólar é a moeda dominante para transações internacionais e reservas cambiais, o que confere aos Estados Unidos uma influência econômica considerável. Ao diversificar suas reservas internacionais, a China busca reduzir essa dependência e, consequentemente, o poder de influência dos EUA sobre sua economia.

Por justamente ser considerado um ativo seguro, o acúmulo de ouro pela China não apenas fortalece sua posição econômica, mas também a prepara para cenários adversos, que podem envolver conflitos.

A anexação de Taiwan é um objetivo antigo do ditador chinês Xi Jinping. Por diversas vezes durante o ano passado o líder do regime comunista defendeu a ideia de integrar a ilha, que vive sob um governo democrático, ao seu território. A China fala que quer realizar este processo por meios “pacíficos”, no entanto, oficiais dos EUA já fizeram um alerta de que os comunistas visam ter capacidades militares suficientes para invadir Taiwan até 2027.

Para especialistas, essa acumulação de ouro pela China pode ser um sinal claro de que o país está se preparando mesmo para este possível conflito envolvendo o processo de anexação de Taiwan.

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“As compras incessantes e a quantidade massiva [de ouro] são sinais claros de que isso [a invasão de Taiwan] é um projeto político prioritário para a liderança de Pequim, devido ao que eles veem como um iminente confronto com os Estados Unidos”, afirmou Jonathan Eyal, diretor associado do think tank de defesa britânico Royal United Services Institute, ao The Telegraph.

Taiwan possui garantias de defesa dos EUA, que são os seus maiores fornecedores de armas. Uma invasão chinesa provavelmente desencadearia um conflito de longo prazo entre os comunistas e o Ocidente. Por isso que, além de acumular ouro, a China também tem se esforçado para se tornar autossuficiente no setor da agricultura, o que, para Eyal, também é uma forma de preparação adotada pelo país para um conflito envolvendo Taiwan.

Iain Duncan Smith, membro do Parlamento do Reino Unido pelo Partido Conservador, afirmou ao The Telegraph que o acúmulo das reservas de ouro pela China pode oferecer uma “margem de manobra” ao país em um cenário de conflito, permitindo-lhes lidar com as dificuldades decorrentes da possível retirada de investimentos pelo Ocidente em caso de uma invasão em Taiwan.

Além da questão de Taiwan e a diversificação de reservas internacionais, outro fator que pode estar por trás desse aumento das reservas de ouro é a iniciativa da China de tentar internacionalizar sua própria moeda, o yuan. Ao aumentar suas reservas, o regime comunista pode conseguir dar mais credibilidade ao yuan como uma moeda de reserva alternativa. Isso poderia desafiar a hegemonia do dólar e permitir que a China exerça também maior influência econômica global.

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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