Mato Grosso “é uma festa de diamante”, diz especialista; vídeos
Publicado em
23 de junho de 2025
por
LIZ BRUNETTO- Site: MÍDIA NEWS
Entre barro e cascalho, sol escaldante e mãos calejadas, em meio ao garimpo, um sonho segue inabalável: o de encontrar “a” pedra “encantada” que trará riquezas e transformará a vida do “escolhido”.
O recente achado de um diamante gigante de 646 quilates em Coromandel (MG), considerado o segundo maior já encontrado no Brasil, reacendeu a chama do sonho de riqueza e atiçou a cobiça nos garimpeiros, inclusive em Mato Grosso.
O geólogo e gemólogo Daniel Fernandes, de 35 anos, formado pela UFMT, afirma que Mato Grosso tem o maior potencial de produção de diamantes do país e, embora o Estado ainda não tenha registrado diamantes gigantes, o valor científico das pedras mato-grossenses é reconhecido no Mundo.
“Os piores diamantes para a joalheria são os melhores para as universidades. Eles trazem registros do manto da Terra que ajudam a entender como o planeta funciona. O Mundo inteiro vem buscar diamante de Juína para estudar. É realmente fascinante”, explica.
“Aqui temos o maior registro de corpos kimberlíticos do Brasil. São centenas de corpos encontrados. Diamante, ouro, quartzos, fora argila, areia e cascalho usados na construção civil, granitos, rochas ornamentais, mármore e calcário… Temos muito bem mineral, é um Estado muito rico. Mas diamante… 87% da produção brasileira é aqui. O diamante aqui é festa”, afirma.
Municípios como Juína, Chapada dos Guimarães, Paranatinga, Poxoréu e a região de Araguaiana, no Araguaia, são conhecidos pela diversidade de gemas encontradas.
“Sai muito diamante colorido, de diferentes qualidades. Em Juína, por exemplo, temos alguns dos vulcões mais profundos do planeta, que trazem pedras com inclusões valiosas para estudos científicos a nível mundial”, diz.
Fernandes conta que, após divulgar a imagem da gema de Coromandel no Instagram, sua agenda lotou. Se antes recebia, em média, três mensagens por dia, hoje são mais de cem pedidos diários, de todo o país, para analisar algum mineral. “Mudou minha vida”, comemora.
Segundo o especialista, é comum confundir o diamante com outros minerais, e é preciso levar a pedra a um laboratório gemológico. “Cada dia é um ‘milionário’ diferente. Muita gente encontra esses quartzos, cristais, e acha que são diamantes”, diz.
“Na prática, confunde muito, mas todo mineral tem características físicas que são só dele. O diamante tem a maior dureza do Mundo. Dureza não quer dizer resistência à quebra, mas sim tenacidade: ele risca todas as outras rochas e minerais. A maioria dos diamantes tem fluorescência, densidade específica, sistema cúbico, uma forma meio piramidal, brilho adamantino”, explica.
Quanto vale?
O diamante de Coromandel foi avaliado, segundo a Prefeitura da cidade, em R$ 16 milhões. Fernandes explica que os critérios para precificar um diamante são o peso, a transparência e a cor, mas que no Brasil é quase impossível estimar o valor porque não há padronização de avaliação.
“Na minha experiência, depois que essa gema for lapidada, se [o diamante de Coromandel] for um diamante amarelo, tipo da Tiffany, pode chegar a centenas de milhões de dólares”, calcula.
Um diamante pode ainda ter uma “capa de sujeira” e ser, depois de lapidado, de outra cor diferente da inicial, já que ele é transportado por rios, misturado com cascalho, terra ou outras contaminações externas.
Os diamantes se formam em grandes profundidades dentro da Terra. Durante a formação, podem absorver elementos químicos das rochas ao redor, e esses elementos são responsáveis por conferir diferentes cores aos diamantes.
“Cada cor é um elemento químico diferente que entra na estrutura [do diamante] e o modifica. Hoje tem diamantes de todas as cores do arco-íris. Quanto mais translúcido, mais valioso. Entre as cores, o vermelho, rosa e o azul são os mais caros”, enumera.
Fernandes explica que os diamantes pertencem à União e só podem ser minerados por quem tem autorização e licença ambiental. No caso de Coromandel, a mina era legalizada. Além disso, para vender o diamante, a empresa precisa registrá-lo no Cadastro Nacional de Comércio de Diamantes (CNCD).
Estrutura e desafios
Para Fernandes, o Estado precisa avançar em estrutura, e uma opção seria a criação de políticas de incentivo, como a compra estatal de toda a produção para lapidação e uso estratégico das pedras, até como garantia financeira.
Ele ainda adverte que o processo de extração exige responsabilidade ambiental. “Cada árvore, cada planta que você mexer tem que estar no projeto de recuperação. Muitos garimpos fazem tanques de piscicultura e reflorestam ao redor”, conta.
Ciência e mística
Apesar da ciência que envolve o processo, Fernandes admite que o imaginário popular segue forte. “Tem gente que acredita que a pedra escolhe a pessoa. Eu acredito em sorte, mas na prática o que conta é o estudo geológico. Mineração de diamante é a mais arriscada da indústria. Quem vai só na aventura, quebra”, alerta.
Mesmo com os riscos, ele é categórico: “Mato Grosso é um lugar bom pra minerar. Está só no começo, estamos só arranhando a casquinha”, conclui.
A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.
Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.
“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.
O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.
Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.
Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.
No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.
Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.
A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.
Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).
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