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Maior jazida de nióbio do planeta é no Brasil

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Entre os inúmeros recursos minerais do Brasil — que incluem desde minério de ferro e ouro até pedras preciosas e cobre — há um metal de nicho que poucos países conseguem produzir em larga escala: o nióbio. A CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), maior produtora global do metal, explora novas utilidades e acredita que o nióbio desempenhará um papel crucial em baterias elétricas para veículos pesados como ônibus e caminhões.

Nióbio fortalece o aço, proporcionando maior resistência à corrosão e pontos de fusão mais altos

Por décadas, o metal tem sido usado principalmente em ligas metálicas para fortalecer o aço, proporcionando maior resistência à corrosão e pontos de fusão mais altos.

O nióbio é encontrado em diversos produtos, desde carrocerias de automóveis até gasodutos e reatores nucleares, além de dispositivos de alta tecnologia, como motores a jato e aparelhos de ressonância magnética.

Diante da corrida global para garantir matérias-primas essenciais às tecnologias modernas, o nióbio tem atraído atenção crescente devido aos seus aspectos estratégicos e geopolíticos, especialmente pela produção concentrada em poucas regiões.

Serviço Geológico dos EUA classifica o nióbio como o segundo mineral “crítico”, estimando que 90% da produção global vem do Brasil

O Serviço Geológico dos EUA classifica o nióbio como o segundo mineral “crítico”, estimando que 90% da produção global vem do Brasil.

“Nosso país pode se destacar como um fornecedor essencial de materiais para a transição energética”, afirma Ricardo Lima, presidente da CBMM. “A principal vantagem que oferecemos é o carregamento rápido”, explica. “Na indústria de baterias, temos uma grande oportunidade de sucesso.”

Produção de Nióbio no Brasil

Fundada na década de 1950 e controlada pela família Moreira Salles, a CBMM tem como acionistas um grupo japonês-coreano e um consórcio de siderúrgicas chinesas.

Outra mina de nióbio no Brasil foi adquirida pela CMOC da China em 2016, sendo a China o maior destino das exportações brasileiras do metal.

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Um relatório do CSIS (Center for Strategic and International Studies) de Washington DC destaca o envolvimento chinês e o potencial do nióbio em equipamentos militares como razões para a vigilância das autoridades dos EUA. “No tabuleiro da geopolítica de defesa, o nióbio emergiu como peça-chave”, dizem os pesquisadores.

Nióbio é considerado “indispensável” para componentes críticos em mísseis hipersônicos

O metal, usado há tempos na indústria aeroespacial — desde o programa Apollo da NASA até os foguetes SpaceX —, é considerado “indispensável” para componentes críticos em mísseis hipersônicos. Capazes de viajar a cinco vezes a velocidade do som, essas armas estão sendo desenvolvidas por várias nações, incluindo EUA e China.

Henry Ziemer, coautor do relatório do CSIS, defende que os EUA tomem medidas para evitar futuras interrupções no fornecimento de nióbio. “O nióbio passou despercebido”, argumenta. “Não houve um esforço sistemático dos EUA para garantir a cadeia de suprimentos, alinhar incentivos e soar o alarme”, completa, referindo-se à propriedade chinesa das minas.

Capacidade de produção do Brasil é de 150 mil toneladas anuais de ferronióbio

A CBMM tranquiliza quanto a possíveis problemas de fornecimento, afirmando que sua capacidade de produção de 150 mil toneladas anuais de ferronióbio — principal forma comercial do metal — excede a demanda mundial. “Não é algo crítico como se fosse raro ou houvesse limites de produção que poderiam levar a uma escassez”, diz Rafael Mesquita, diretor de tecnologia. “Existem outros depósitos no mundo.”

“Todo o gerenciamento da nossa empresa é feito aqui”, acrescenta Lima. “Não são os acionistas chineses, somos nós. Não vejo nenhuma preocupação com os chineses.” Quanto ao uso do nióbio na defesa, os executivos da CBMM afirmam que não é um mercado-alvo.

Apesar disso, a indústria do aço deve continuar sendo o principal cliente da CBMM. No entanto, a empresa planeja aumentar novas linhas de negócios de 10% para 30% da receita até 2030, explorando áreas como vidro avançado para painéis solares, fungicidas e materiais magnéticos especiais.

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“O nióbio é relativamente novo comparado a outros elementos como ferro, cromo e molibdênio, então ainda há muitas aplicações a serem desenvolvidas”, observa Mesquita. “Em vez de maior participação de mercado, queremos aumentar o mercado total.”

No próximo mês, ela revelado o primeiro ônibus elétrico do mundo com uma bateria contendo o composto, em parceria com a Volkswagen e a Toshiba

Fornecer óxido de nióbio de qualidade para baterias de veículos comerciais é essencial para a estratégia da CBMM. No próximo mês, ela revelará o primeiro ônibus elétrico do mundo com uma bateria contendo o composto, em parceria com a Volkswagen e a Toshiba. A expectativa é que versões comerciais estejam nas estradas até 2025.

No ânodo de uma bateria, o nióbio pode substituir o grafite, permitindo um carregamento mais rápido e reduzindo o risco de superaquecimento e explosões, explica a CBMM. “Comparado ao grafite, é mais caro”, diz Lima. “Mas, com uma vida útil de bateria mais longa e maior autonomia, o custo final de propriedade para o cliente é melhor.”

No cátodo das baterias à base de níquel, pequenas quantidades de nióbio podem reduzir a necessidade de cobalto, cuja mineração na África é associada a abusos dos direitos humanos, segundo a Anistia Internacional. Algumas fabricantes de carros elétricos se comprometeram a reduzir o uso de cobalto.

“Os cátodos podem se tornar um mercado significativo para o nióbio ao longo do tempo”, diz Andrew Matheson, da consultoria de metais CPM Group. “No lado do ânodo, ainda é cedo para dizer se haverá adoção em massa, mas há uma perspectiva forte. Caminhões de mineração sozinhos poderiam representar tanto quanto a quantidade atual indo para o aço.”

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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