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PRIMEIRO PASSO

NF-e do ouro entra em vigor, mas especialistas apontam que falta mais para coibir ilegalidades

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Desde o início desta semana, todo o ouro comercializado no país como ativo financeiro terá de ser acompanhado da nota fiscal eletrônica, emitida pelo comprador. A medida foi instituída pela Receita Federal em março, em meio a denúncias de mineração em terras indígenas. A medida é vista como um grande avanço, mas não suficiente para coibir a mineração irregular em áreas indígenas e de conservação, dizem especialistas.

 Na última década, a mineração foi regida pela chamada presunção da “boa fé”, incluída na lei 12.844÷2013, e que permite que qualquer pessoa vendesse ouro em nome de um garimpo para uma DTVM (gestora autorizada pelo banco central), sem qualquer comprovação de origem. A lei segue em vigor, mas o Supremo suspendeu o efeito da aplicação da boa-fé. Dois projetos de lei para o combate à ilegalidade em toda a cadeia do ouro — de autoria do Executivo e da ex-deputada Joenia Wapichana, hoje presidente da Funai — já foram apresentados como alternativa ao 12.844

— A nota fiscal eletrônica vai ajudar bastante no controle da origem do ouro. Ela é um passo para a rastreabilidade. Sem nota, era impossível monitorar. Mas ela não resolve tudo sozinha — diz Larissa Rodrigues, pesquisadora do Instituto Escolhas, que fez um estudo sobre o ouro ilegal no país. O Raio-X do Ouro aponta indícios de que a metade da produção de ouro nacional nos últimos seis anos pode ter origem na ilegalidade.

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— Precisa ajustar a regulação. Além da NF-e, tem que acabar com de vez com a boa-fé, estabelecer guias de transporte e custódia de ouro, obrigar que só os donos do garimpo sejam aptos a fazer a venda do ouro (e não qualquer pessoa como acontece hoje), não permitir que os donos das DTVMs também sejam donos de garimpos ou que tenham familiares como donos de garimpo, esse conjunto de medidas, que deveriam ser básicas, mas que não existem para o ouro — diz Larissa.

A Fênix DTVM, que está entre as três maiores compradoras de ouro do país, diz que já está apta a emitir as notas fiscais eletrônicas e que também está trabalhando com uma empresa de blockchain alemã, a Minespider, para rastrear a origem do ouro, e uma certificadora externa, especializada no setor de mineração, a Certmine.

— A gente vem se atualizando em termos de processo para blindar a instituição contra o ouro ilegal ou esquentado — diz Pedro Eugênio Procópio, diretor de operações da Fênix DTVM. — A Nf-e sozinha não é solução, mas a gente fica satisfeito com a medida, junto com outras que estão sendo adotadas pela Agência Nacional de Mineração e também o Banco Central no que diz respeito à regulação e fiscalização. Todos os dias a gente vem dando um passo a mais para evoluir na originação do ouro responsável, coibir e dificultar a entrada de ouro legalizado (esquentado) dentro do sistema — diz Procópio.

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Ele afirma ainda que a empresa tem uma parceria com uma ong suíça, Swiss Better Gold, para apoiar e finaciar pequenas mineradoras na transição para práticas ambientais mais responsáveis. — Na baixada cuiabana, de 40 mineradoras, 4 delas já estão certificadas. E tem mais 4 em processo de certificação. Ainda é uma abrangência pequena, mas estamos começando — diz Procópio.

A Fênix aparece no estudo do Instituto Escolhas como uma das DTVMs com indícios de compra de ouro irregular. Segundo o estudo, a 62% do ouro comercializado tem origem suspeita.

Como a regulação não obriga nem prevê instrumentos de rastreabilidade, mesmo as gestoras que compram ouro de áreas irregulares, se elas declaram que compraram de boa-fé, elas em tese não podem ser responsabilizadas.

Sobre o relatório do Escolhas, Procópio afirma que a empresa só tinha 3 meses de operação quando o relatório foi feito. — “Refutamos todas as acusações” — diz. Ele admite que um dos acionistas da gestora é dono de uma mineração, como está no relatório.

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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