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AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Cortes dificultam fiscalização, diz Agência Nacional de Mineração

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A ANM (Agência Nacional de Mineração) disse ao STF (Supremo Tribunal Federal) sofrer com constantes cortes e bloqueios de dotação orçamentária que afetam a fiscalização de compra de ouro no país. A situação da autarquia é evidenciada em meio crise na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, e a discussão pela retirada de garimpeiros ilegais na região. Leia a íntegra do ofício enviado ao ministro Gilmar Mendes (4 MB).

Segundo informações repassadas pela agência, os cortes de recursos afetam, sobretudo, a área de tecnologia da informação. “O orçamento contingenciado é da ordem média de 90% do que deveria ser repassado para a agência conforme previsão legal (7% da CFEM [Compensação Financeira pela Exploração Mineral], além das demais receitas, como taxas, multa e emolumentos)”, disse a ANM ao Poder360.

A autarquia destacou em nota que além do comprometimento na fiscalização da atividade minerária, outras atividades são afetadas, como arrecadação, monitoramento e segurança de barragens, projetos de inovação, automação e eficiência administrativa relacionados à tecnologia da informação.

Segundo a ANM, outro problema enfrentado é a evasão e aposentadoria de funcionários públicos. No ofício enviado ao STF disse que seu efetivo foi reduzido em quase 50% nos últimos 12 anos. Conforme dados da agência, o quadro de 1.196 funcionários em 2010 passou para 664 em 2022.

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“Tal redução foi concomitante ao aumento da produção mineral brasileira, traduzida em incremento da demanda de trabalho, e das novas competências adquiridas pela ANM”, informou em nota.

A agência afirmou que a “situação crítica” foi reconhecida pelo TCU (Tribunal de Contas da União), CGU (Controladoria-Geral da União), MPF (Ministério Público Federal), OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e pelo Gabinete de Transição do governo Lula.

“Os órgãos de controle já se manifestaram sobre a necessidade de nivelar a remuneração das carreiras da ANM para diminuir a evasão de servidores, […] que estão sem qualquer recomposição salarial desde 01/07/2017, sendo o plano de carreira mais defasado do serviço público federal, considerando data-base de 2005, quando da criação dos cargos”, declarou o órgão.

FISCALIZAÇÃO MINERÁRIA

A ANM conta atualmente com 5 funcionários públicos para realizar ações de fiscalização da cobrança de CFEM, assim como para verificar formulários armazenados pelas DTVMs (Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários) sobre a compra de ouro no Brasil.

O diretor-geral da ANM, Mauro Henrique Moreira Sousa, disse em ofício enviado ao ministro Gilmar Mendes que a autarquia “não dispõe de recursos para realizar a verificação dos formulários armazenados pelas DTVMs de forma generalizada. Tal ação exigiria grande contingente de fiscais, algo impossível em um cenário de redução de quase 50% da força de trabalho”.

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Mauro Sousa também ressaltou os cortes sofridos pela Agência, e destacou a necessidade de descentralização do orçamento para realizar os investimentos necessários nas áreas de tecnologia e automação.

O diretor da autarquia afirmou ainda ter recebido “reiteradas negativas” à base de dados de NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) da Receita Federal, que informa produtores e compradores de bens minerais.

Segundo ele, o acesso ao sistema é necessário para “adequado controle da produção e arrecadação de royalties do setor. O acesso às NF-e da comercialização do ouro pode aprimorar significativamente a capacidade da ANM no cuidado com a cadeia produtiva do metal”.

Por fim, o diretor solicitou uma reunião com o ministro Gilmar Mendes para tratar sobre os problemas da ANM. O juiz é relator de ações movidas pelo PV e PSB contra lei que autoriza às DTVMs a adquirirem ouro com base no princípio da boa-fé.

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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