CUIABÁ
Search
Close this search box.

Notícias

Transição energética alimenta “corrida” por minerais críticos

Publicado em

Brasil tem potencial para protagonismo, mas o paradoxo da exploração mineral no país ainda carece de regulação.

A informação é publicada por ClimaInfo, 04-05-2025.

Os chamados minerais críticos, estratégicos, de terras raras, estão em especial evidência por serem essenciais para tecnologias utilizadas no processo de transição energética, como baterias de carros elétricos e turbinas eólicas. Embora o mercado desses minerais hoje seja dominado pela China, as reservas brasileiras têm um inegável potencial, como revelado pela edição 2025 do Mineral Commodity Summaries, relatório do Serviço Geológico Americano (USGS), segundo noticiado por O Globo e Valor. O país avançou uma posição nos rankings globais de terras raras e lítio em 2024, ocupando agora a segunda e a sexta posição, respectivamente.

Enquanto cresce a necessidade de acelerar a descarbonização, o Ministério de Minas e Energia (MME) aposta na mineração como “mola propulsora” desse movimento, com mais de 50 projetos de mineração em fase desenvolvimento que podem transformar o país em um dos principais fornecedores mundiais. Porém, especialistas alertam para os riscos de dependência econômica e impactos socioambientais.

Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM), de Minaçu (GO), única produtora fora da Ásia de terras raras como neodímio e disprósio, já planeja dobrar sua produção até 2030 – um sinal de que o Brasil pode se tornar peça-chave na geopolítica dos minerais críticos, mas também alvo de disputas comerciais e pressões regulatórias.

Leia Também:  Novas regras para declarar compensação financeira pela exploração de recursos minerais já entraram em vigor

O domínio brasileiro no nióbio (94,1% das reservas mundiais) e sua crescente produção de lítio, grafite e manganês coloca o país em posição privilegiada na mesma medida em que revela uma contradição: enquanto empresas como a CBMM investem em tecnologias de ponta, como baterias de nióbio para ônibus elétricos, o país ainda exporta grande parte de seus minerais como commodities, sem agregar valor.

ANM aprovou 4.630 projetos de pesquisa em 2024, mas a falta de uma política industrial clara ameaça perpetuar o papel brasileiro como fornecedor de matéria-prima. O BNDES tenta reverter esse cenário com um edital de R$ 5 bilhões para inovação em minerais estratégicos, mas o desafio vai além do financiamento. A pressão por licenciamentos ágeis e a atração de investimentos estrangeiros esbarram em questões ambientais e na histórica instabilidade regulatória do setor.

A corrida pela exploração dos minerais da transição não se restringe, claro, ao Brasil. A China conta com 30 dos 50 principais minérios deste tipo e utiliza esses recursos como moeda, por exemplo, ao impor sanções para exportações aos EUA por conta da guerra tarifária iniciada por Donald Trump, e pode influenciar diretamente indústrias nada comprometidas com um futuro mais justo, ainda que fundamentais para a economia norte-americana, como a produção de armas, avaliou o South China Morning Post. Não por acaso, Trump iniciou uma ação desenfreada para agilizar a busca por esses minerais no fundo do mar no mês passado.

Leia Também:  Gestão autoriza concurso com 220 vagas para Agência Nacional de Mineração

Austrália, informou a Reuters, também anunciou um investimento inicial de AU$ 1,2 bilhão ($763 milhões) para criar uma reserva estratégica de minerais críticos, buscando se posicionar como alternativa à China no fornecimento global. O governo pretende fortalecer sua autonomia e resiliência econômica, reduzindo a dependência do mercado dominado pelos chineses.

A medida surge após restrições de exportação impostas pela China e visa assegurar suprimentos para a Austrália e seus parceiros internacionais. Ao que parece, o cenário que coaduna descarbonização e mineração ainda irá arregimentar muitos esforços além de alimentar paradoxos exploratórios, sobretudo em territórios marcados pela presença de biodiversidade e Povos Ancestrais.

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Notícias

Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

Published

on

A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

Leia Também:  Por que o ouro voltou a brilhar e atingiu a maior cotação em sete meses — e o que pode acabar com esse momento de ‘glória’

O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

Leia Também:  Cientistas descobrem como extrair ouro de celulares e notebooks antigos de forma sustentável

No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

COMENTE ABAIXO:
Continue Reading

MAIS LIDAS DA SEMANA