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O mundo vai permitir a mineração submarina?

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Representantes de 168 países reuniram-se, esta semana,  na Jamaica para decidir se o fundo do mar pode ser explorado em busca de minérios. O tema, controverso há décadas, ganhou urgência com a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis.

Os defensores da mineração submarina dizem que ela é crucial para garantir acesso a elementos críticos da eletrificação, como o níquel, o cobre e o cobalto usados nas baterias .

Os ambientalistas argumentam que os impactos negativos nos ecossistemas são incalculáveis, literalmente: mais de 75% do fundo do oceano não foi nem sequer mapeado.

Os países também estão divididos. Rússia e China lideram o movimento a favor da liberação. França e Alemanha são os expoentes da resistência.

As negociações acontecem no âmbito da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês), um obscuro órgão da ONU que governa tudo abaixo de 200 metros de profundidade em águas internacionais.

Durante as próximas três semanas, os negociadores terão de decidir se o fundo do mar, definido como uma “herança comum da humanidade”, poderá ser explorado comercialmente, e como.

Uma resolução terá de ser encontrada neste mês por uma questão técnica. Nauru, uma pequena ilha do Pacífico, apresentou em 2021 uma demanda à ISA que na prática obriga o órgão a se manifestar em no máximo dois anos sobre a mineração no fundo do mar.

O prazo está para vencer, mas ainda não se chegou a um acordo sobre as regras para esse novo tipo de atividade. O temor é que, caso a entidade aprove o pedido de Nauru sem consenso sobre diretrizes mínimas de governança, abram-se as portas para a exploração indiscriminada.

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Um aspirador submarino

A mineração no fundo do oceano é diferente da realizada em terra firme. Submergíveis equipados com uma espécie de aspirador sugam pelotas metálicas que se formaram ao longo de milhões de anos.

Essas rochas são submetidas a um processo inicial de separação na superfície, e o que não tem valor é devolvido ao mar.

Cientistas e ativistas ambientais apontam vários riscos potenciais. Um deles está relacionado ao próprio clima: cerca de 40% do CO2 emitido pela humanidade está sedimentado em águas profundas.

Remexer o solo marinho poderia causar a liberação de dióxido de carbono na atmosfera, como alertou um estudo recém-publicado pela entidade Fauna & Flora International.

E outras partículas suspensas no mar podem se dispersar por vastas áreas, representando um problema potencial para ecossistemas distantes.

Uma alternativa ‘menos pior’

Os defensores da mineração nas profundezas do oceano dizem que escavar em terra é uma alternativa ainda pior.

A Indonésia domina a produção global de níquel e tem um quinto das reservas conhecidas do metal. Ao mesmo tempo, o país detém uma das maiores florestas tropicais do mundo.

Se todo o metal presente no solo indonésio fosse explorado, haveria enorme pressão socioambiental, pois um dos métodos de exploração gera resíduos tóxicos num país sujeito a terremotos e chuvas torrenciais.

A The Metals Company, empresa canadense que pretende inaugurar a era da mineração submarina em Nauru, diz que a exploração no mar faz mais sentido.

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“Precisamos de um quarto ou menos de minérios para obter a mesma quantidade de metais. Diante de uma demanda crescente, é importante suplementar a oferta com o menos impacto possível para o planeta e para as pessoas”, diz um comunicado publicado no site da companhia.

Hora da verdade

Um grupo diverso de países, incluindo Chile, Holanda e pequenas ilhas do Pacífico como Vanuatu e Palau, defendem na ISA um adiamento de qualquer decisão até que haja consenso sobre um conjunto de regras e uma maneira de garantir sua aplicação.

A entidade é acusada por alguns de ser “pró-mineração”. O britânico Michael Lodge, secretário-geral da organização, caracterizou no passado os pedidos de cautela como “anticiência, anticonhecimento e antileis internacionais”.

Uma representante do governo alemão afirmou que o país pode recorrer a tribunais internacionais caso a decisão seja acelerar a liberação da atividade.

Os diplomatas terão de encontrar um delicado equilíbrio entre a conservação e a necessidade de manter o ritmo da transição energética.

A Agência Internacional de Energia publicou esta semana seu primeiro relatório sobre os minerais críticos para a eletrificação.

Entre 2017 e 2022, a demanda global de lítio triplicou, a de cobalto cresceu 70% e a de níquel, 40%. O crescimento vai continuar acelerado para que se atinja o net zero na metade do século, segundo as projeções da agência.

Um dos grandes desafios da descarbonização global, segundo o estudo, é a diversificação da oferta — desde que ela venha de “fontes limpas e responsáveis”.

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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