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PRESIDENTE DA FECOMIN PARTICIPOU

Comissão ouve representantes do garimpo em território ianomâmi

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A comissão temporária externa do Senado que acompanha a crise humanitária em território indígena ianomâmi, em Roraima, ouviu representantes dos garimpeiros em audiência pública nesta terça-feira (22). A Urihi Associação Yanomami, que representa essa comunidade, chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a reunião, mas o pedido foi negado pelo ministro Edson Fachin. A alegação era de que haveria desvirtuamento do foco da comissão.

Presidente do colegiado, Chico Rodrigues (PSB-RR) explicou que o plano de trabalho foi discutido e aprovado por todos os integrantes da comissão, com a inclusão de todos os convidados sugeridos. Segundo o senador, é necessário ouvir todos os lados envolvidos no assunto, a fim de que a elaboração do relatório final da comissão tenha embasamento e resulte em apontamentos e sugestões concretas ao Poder Executivo.

— Estamos fazendo esse alerta para que não se possa acusar A, B, C ou D de alguma interferência. A função dessa comissão é levar o Senado Federal a entregar as melhores contribuições para mitigar o problema com ações efetivas.

Aferição

Diretor-executivo da Associação Nacional do Ouro (Anoro), Fábio Lobo ressaltou que o sistema financeiro do mercado do ouro é sensível e que o Banco Central brasileiro age com rigor para a lisura da entrada de novos integrantes na atividade.

Em resposta a questionamento do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Fábio disse que a Anoro ainda não desenvolveu tecnologias para identificar a origem do ouro comercializado no país. Segundo o debatedor, as instituições financeiras participam da comercialização do produto a partir da entrega pelos próprios garimpeiros. Ele observou que o órgão propõe pelo menos um protocolo de qualificação de rastreabilidade, mas observou que nem o Estado consegue fazer essa aferição.

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Educação

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apontou a ação educacional como ferramenta para combater inclusive a exploração sexual de crianças e adolescentes na áreas de extração de ouro da Região Amazônica. A parlamentar questionou se a Anoro tem conversado com associações similares da Venezuela para implementar programas nesse sentido.

Fábio Lobo disse ser impossível o trato da matéria com os venezuelanos por questões políticas que, segundo ele, impossibilitam diálogos de quaisquer naturezas. O debatedor afirmou ainda que o ingresso do ouro no Brasil carece de regulação especial, inclusive para não se incorrer no risco de “contaminação” do processo de exploração desse mineral no país.

Fiscalização

Para a diretora-executiva da Anoro, Ana Lobo, ilegalidades observadas no garimpo se devem, em grande parte, às dificuldades de execução das leis. Ela apontou sugestões para minimizar a exploração minerária criminosa: que o governo cumpra suas obrigações fiscalizatórias e regulatórias, inclusive com penalização, e a criação de métodos governamentais capazes de promover a qualificação do rastreamento para que haja uma distinção eficiente entre ouro lícito e ilícito.

— O garimpo é uma atividade legal, prevista na Constituição Federal. A dicotomização entre garimpo legal e ilegal generaliza e marginaliza o setor. Mas a exploração extrativista ilegal não é garimpo: é crime – destacou a convidada.

Esclarecimentos

O relator da comissão, senador Dr. Hiran (PP-RR), pediu esclarecimentos quanto às medidas de proteção dos garimpeiros no contato com substâncias como o mercúrio implementadas pela Anoro.

Ana Lobo afirmou que é possível proteger tanto o garimpeiro, quanto o meio ambiente. Ela disse ainda que a instituição tem atuado para conscientizar sobre métodos de cuidado pessoal, com incentivo ao uso de luvas e máscaras, e sobre a importância da reutilização do mercúrio, afim de que a substância não seja lançada no ambiente.

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— O objetivo de todos nós é que esse produto não precise mais ser utilizado, mas, enquanto isso não acontece, incentivamos métodos para a reativação do mercúrio, para que não seja jogado fora.

Dr. Hiran quis saber também se a Anoro dispõe de um modelo para qualificar a atividade garimpeira com sustentabilidade.

Fábio Lobo respondeu que é alto o número de pessoas que atuam no setor de forma ilícita, e afirmou que se o Estado retirar esses exploradores das terras ianomâmis, essas pessoas passarão a extrair ouro ilegalmente em outras regiões. Para ele, a solução do problema passa por investimentos maciços em educação.

Aperfeiçoamento legislativo

Chico Rodrigues questionou quais sugestões de aperfeiçoamento legislativo poderiam ser apontadas pelo presidente da Federação das Cooperativas de Mineração do Estado de Mato Grosso (Fecomin), Gilson Camboim, para levar dignidade aos garimpeiros empregados em mineradoras legalizadas no Brasil.

Camboim observou que a organização dessas pessoas em cooperativas já traz uma série de benefícios. Ele defendeu, no entanto, que o governo se aproxime da atividade, em missões de acompanhamento, com orientações voltadas à saúde e meio ambiente, e não apenas com uma presença punitiva, como ocorre atualmente.

—Além disso, o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração, com quadro [de pessoal] adequado, remuneração e ampliação de tecnologias. Se a gente quer um setor de mineração forte, que se desenvolve, a nossa agência reguladora precisa estar nesse nível. Além disso, claro, investimento em educação —salientou o presidente da Fecomin.

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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