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Bancos Centrais protagonizam a nova corrida do ouro

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Os fatos geopolíticos mais marcantes dos últimos dois anos – a invasão da Ucrânia pela Rússia e o agravamento das relações comerciais e econômicas entre Estados Unidos e China -, aliados ao crescimento da inflação no Primeiro Mundo, estão causando um impacto inesperado no sistema monetário internacional: a crescente procura dos bancos centrais pelo ouro como fonte alternativa ao dólar como reserva internacional de ativos.

De acordo com World Gold Council, órgão comercial independente que monitora o m ouro, a quantidade do metal comprada pelos bancos centrais aumentou 152% explica o rápido aumento da cotação do lingote, de 20% nos últimos seis meses. As 36 toneladas de ouro adquiridas pelos BCs ao longo do ano passado configuraram pior fluxo de aquisição das autoridades monetárias desde a década de 1950.

A partir do Congresso de Viena de 1815laté o início da Primeira Guerra Mundial, a economia global esteve baseada no padrão-ouro. Na prática, o valor da moeda de cada país correspondia às suas reservas em ouro, o que tornava o ativo uma espécie de “câmbio fixo”, mas que dependia da quantidade de ouro guardada.

De acordo com o economista Carlos Honorato, professo da FIA Business School, não há risco de o sistema financeiro internacional voltar ao padrão-ouro, entre outros motivos, por não existir mais quantidade disponível suficiente do metal.

“Mas essa procura mostra que os BCs correm para aquilo que tem menos risco em tempos de instabilidade política e econômica”, diz Honorato, referindo-se à procura pelo ouro em meio à chamada “tempestade perfeita”, que une as crises geopolíticas ao aumento da inflação. Para se ter uma ideia, durante a crise bancária de março nos EUA, o ouro continuou subindo enquanto o dólar caía.

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NOVO CENÁRIO

A Pesquisa de Tendências de Gestão de Reservas, levantamento do HSBC com 83 bancos centrais, que administram US$ 7 trilhões em ativos cambiais, classificou a alta da inflação (listada por 70%) como uma de suás preocupações mais importantes para mirar o ouro. O risco geopolítico, citado por 40% dos representantes dos BCs, porém, chamou a atenção pelo fato de ter sido o dobro do mesmo levantamento, feito em 2021.

A invasão russa levou a aliança ocidental capitaneada por EUA, Reino Unido e União Europeia a adotar sanções financeiras que congelaram cerca de US$ 300 bilhões em. do BC russo. Como a Rússia mantém suas reservas de ouro no próprio país, esse tipo ativo não foi afetado pelas sanções.

A percepção, principalmente entre os países em desenvolvimento, é de que o dólar com fonte de pressão política dos EUA está ganhando mais importância do que como moeda de referência monetária.

O temor de ser o próximo da lista de sanções explica o fato de que, entre 10 BCs que aumentaram sua compra em ouro recentemente, 9 estão em países emergentes. A lista inclui países do Oriente Médio e da Ásia Central.

O yuan chinês, por sinal, se beneficiou como fonte alternativa ao dólar. Como a China ignorou as sanções contra a Rússia, pagando em sua moeda a importação de petróleo, a participação da moeda chinesa no mercado de câmbio russo já chega próximo de 50% ante menos de 1% no início de 2022.

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A primazia do dólar no sistema financeiro internacional, porém, ainda é incontestável. Segundo dados do FMI, o dólar representou 58% de todas as reservas de BCs do mundo inteiro durante o quarto trimestre do ano passado. O euro representou pouco mais de 20 e a moeda chinesa, apenas 2,7%. A pesquisa foi fechada em meados de março.

A China pretende, no entanto, aproveitar sua forte presença comercial global para melhorar as transações em sua moeda. Para isso, lançou em 2015 o Sistema de Pagamento Interbancário da China, o Cips, na sigla em inglês. Passados quase 8 anos, o Cips ainda opera à margem do Swift, que representa o principal sistema para pagamentos internacionais e tem como moeda dominante o dólar.

Os países emergentes dos Brics – bloco que reúne África do Sul, Brasil, China, Índia e
Rússia – vêm pregando a ideia de negociar uns com os outros diretamente, em sua própria moeda. “Todas as noites me pergunto porque os países têm que basear seu comércio no dólar”, disse recentemente o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em visita à China.

As palavras de Lula refletem uma tendência em curso. Embora o dólar representasse 80,42% do total das reservas internacionais do Brasil no final do ano passado, o yuan chinês (5,37%) ultrapassou o euro (4,74%) e se tornou a segunda moeda mais importante nas reservas internacionais brasileiras, de acordo com um relatório do Banco Central divulgado no final de março.

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Expominério 2025 reúne 17 painéis em três dias de debates técnicos

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A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.

Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.

“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.

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O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.

Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.

Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.

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No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.

Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.

A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.

Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).

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