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29 de setembro de 2023A edição dos Seminários Técnicos desta quinta-feira, 28 de setembro, trouxe orientações aos gestores municipais sobre o impacto nas administrações tributárias municipais em detrimento dos procedimentos de fiscalização da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem). Na oportunidade, foram reforçados os desafios enfrentados na regulação, além das oportunidades de utilização eficiente dos recursos provenientes do Cfem.
Na abertura, o consultor jurídico da Confederação Nacional de Municípios (CNM) Paulo Caliendo explicou a importância da Cfem e a preocupação da entidade municipalista em garantir a autonomia municipal tributária e financeira, principalmente com o avanço do contencioso fiscal que envolve a temática. Nesse entendimento, foram enfatizados os aspectos jurídicos no que tange à legislação e à regulação da Cfem e ao papel da entidade reguladora na fiscalização, cálculo e utilização dos Recursos da Cfem e a transparência e prestação de contas.
A analista técnica da área de Planejamento Territorial e Habitação da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Karla França, reforçou a importância da gestão do território das atividades mineradoras. Os gestores receberam orientação quanto à competência municipal relacionada às licenças urbanas das atividades em conformidade ao planejamento do território, os efeitos das atividades, potencialidades e vedações.
Logo após, a gerente de Sustentabilidade da CNM, Cláudia Lins, abordou sobre os desafios ambientais e socioeconômicos da exploração de recursos minerais. “É fundamental ressaltar o planejamento adequado da aplicação dos recursos de forma a não tornar o Município dependente da Cfem em serviços básicos. Caso contrário, qualquer interrupção de funcionamento da mineração no Município irá inviabilizar serviços e prejudicar a população”, disse.
Sobre isso, Cláudia Lins ressaltou que é importante que a Cfem seja aplicada na promoção do desenvolvimento sustentável, na geração de emprego e de renda em atividades que visem à diversificação econômica do Município, seja no turismo ecológico, na agricultura familiar, entre outros. “Se todos os mais de dois mil Municípios mineradores brasileiros investirem a Cfem no desenvolvimento de atividades e de serviços sustentáveis, eles estarão investindo no fortalecimento e na autonomia das finanças públicas, gerando benefícios sociais que serão mantidos mesmo em caso de queda na arrecadação da Cfem”, completou.
Por sua vez, a representante da Universidade de Oxford, Andreza Aruska, apresentou o trabalho de pesquisa que está sendo feito com a parceria da CNM. O projeto tem como intuito orientar e disponibilizar estudos quanto à realidade dos Municípios. Também está sendo aplicado um questionário para mapeamento das atividades de mineração. Participaram do debate também a analista técnica de Finanças da CNM, Flávia Salvador, além do superintendente de Arrecadação e Fiscalização de Receitas na Agência Nacional de Mineração (ANM), Daniel Pollack. Esse último tratou do panorama jurídico e o processo de transparência da arrecadação.
Boas práticas
No período da tarde, o público teve a oportunidade de conhecer as ações desenvolvidas no Município de Canaã dos Carajás, no Pará. A cidade recebe recursos da Cfem que representam 51% da arrecadação e tem aplicado os valores repassados pela exploração da mineração em investimentos em várias áreas da gestão local, na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico.
A prefeita Josemira Gadelha explicou que a cidade desenvolveu vários projetos a partir dos recursos recebidos da Cfem. Segundo a gestora, o planejamento das ações em áreas como a Saúde, Educação, Turismo, Meio Ambiente e Cultura ocorreu devido à necessidade da população e à importância de garantir retorno e o desenvolvimento econômico e sustentável do Município.
“É importante saber o tempo de exploração do minério para fazer o planejamento e os impactos econômico e ambiental no Município para que o seu investimento seja assertivo. É um planejamento estratégico e pensando a partir da necessidade das pessoas de como vamos desenvolver uma segunda matriz econômica. Temos que deixar uma cidade preparada pós- mineração e precisamos trabalhar essa diversificação econômica, dentre elas, o Turismo e a tecnologia para a geração de emprego e renda. A mineração é muito importante, mas ao mesmo tempo traz grandes desafios”, disse a gestora.
De acordo com a convidada, o planejamento é feito por uma equipe técnica e os investimentos contam com o acompanhamento da população e dos servidores públicos.
Potencial mineral
Em seguida, o representante do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Anderson Dourado, trouxe dados que destacam o potencial mineral em todo o país. Ele detalhou um levantamento em que aponta os principais minerais encontrados no território nacional e que o mapeamento geológico ainda em andamento pretende mapear 50% dos minérios do Brasil até o ano de 2050. “O Brasil é heterogêneo do ponto de vista geológico. Expandir o mapeamento é um desafio para aumentar as nossas potencialidades”, considerou o participante ao destacar os objetivos do SGB.
Fiscalização
O evento teve um painel em que tratou dos Acordos de Cooperação Técnica para fiscalização, que são instrumentos formais utilizados por entes públicos para estabelecer um vínculo cooperativo ou de parceria. A CNM listou as vantagens e orientou o público sobre a legislação que trata do acordo: a Resolução 71/21. O assessor administrativo da Secretaria de Fazenda e coordenador da Cfem, Sirney Apóstolo, complementou ao descrever o processo de fiscalização feito pelo Município e como o acordo de cooperação técnica melhorou a arrecadação do Município.
No final, a programação do Seminário contou um painel que orientou os participantes sobre os os royalties da compensação financeira pela utilização de Recursos Hídricos e os royalties do petróleo e de Itaipu. Analista técnica da área de Finanças da CNM, Flávia Salvador explicou ainda pontos que tratam da evolução da mineração, bem como o desenvolvimento econômico e as perspectivas para o futuro.
Ainda destacou a atuação da entidade municipalista na defesa dos interesses dos Municípios junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
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17 de novembro de 2025
A edição 2025 da Expominério terá uma das programações mais completas do setor mineral no país, reunindo ao longo de três dias, entre 26 e 28 de novembro, um total de 17 painéis distribuídos entre os auditórios Minerais e Flores, do Cento de Eventos do Pantanal.
Os debates abordam desde tendências geopolíticas e minerais críticos até desafios ambientais, novas tecnologias, relações comunitárias, políticas públicas e o futuro da mineração sustentável em Mato Grosso e no Brasil. Para um dos organizadores do congresso, Humberto Paiva, a edição deste ano consolida um novo patamar de articulação técnica e institucional.
“Reunir 17 painéis em três dias reforça o propósito da Expominério de ser um espaço real de construção de conhecimento e de diálogo qualificado. A cadeia mineral vive um momento de transformação profunda, em que tecnologia, sustentabilidade, segurança jurídica e participação social caminham juntos. Nossa intenção, ao trazer especialistas de diferentes áreas, é criar um ambiente que permita entender os desafios, apresentar soluções e aproximar cada vez mais o setor das demandas da sociedade”, afirma.
O evento começa na quarta-feira (26.11), às 8 horas, no Auditório Minerais, com a abertura oficial do ciclo de palestras do IEL e segue para discussões sobre minerais críticos e estratégicos na transição energética, governança e regulação do setor, mineração de gemas, diversidade e inclusão nas operações e os desafios tributários da atividade. Especialistas de diferentes áreas farão análises sobre o momento atual da mineração e os cenários projetados para os próximos anos.
Na quinta-feira (27.11), às 08h30, os painéis tratam dos desafios da mineração diante da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, das relações entre mineração e comunidades, dos conflitos socioambientais e dos avanços tecnológicos aplicados à cadeia produtiva, incluindo energia solar e inovação para eficiência das operações. A programação segue até o início da noite, quando será realizada a palestra magna com o professor titular da USP, Fernando Landgraf.
Ao mesmo tempo, o Auditório Flores recebe o encontro temático “Mercúrio: Olhando Juntos para o Futuro”, organizado pelo Instituto Escolhas. O dia será dedicado à discussão regulatória, análises sobre o futuro da mineração artesanal, apresentação de casos reais de transição para métodos livres de mercúrio e debates sobre alternativas tecnológicas. Representantes de entidades, pesquisadores, lideranças do setor e especialistas internacionais participam das mesas, reforçando o caráter multidisciplinar do encontro.
No último dia da Expominério (28.11), o congresso encerra com discussões sobre investimentos e dinâmicas do mercado de ouro, políticas de desenvolvimento mineral para Mato Grosso, avanço dos mapeamentos geológicos e a importância dos agregados da construção civil para a infraestrutura estadual.
Os últimos debates tratam da produção de minerais críticos a partir de rejeito e da empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico na mineração, antes do encerramento oficial da Expominério 2025, previsto para as 22h.
A Expominério 2025 será realizada de 26 a 28 de novembro, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá.
Patrocinador Oficial: Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também apoiam o evento a Fecomin e a Fomentas Mining Company (patrocinadores Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além da GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).